Entre em contato: (11) 3458-0506
Tema multi propósito para WordPress!

Sem Vista para o Mar. Contos de Fuga de Carol Rodrigues

jun
14

Sem Vista para o Mar. Contos de Fuga de Carol Rodrigues

sem vista para o mar

Sem Vista para o Mar
Por Marisa Lajolo, curadora do Prêmio Jabuti
https://www.facebook.com/marisa.lajolo
Em 12/06/2016

Sem Vista para o Mar. Contos de Fuga.
1º Lugar na categoria Contos e Crônicas em 2015
Autora: Carol Rodrigues
Editora: Edith

Pequeno, discreto e bonito. Bonito por dentro e bonito por fora, ganhou um Jabuti no ano passado o livro destes 22 contos. A bela capa os batiza “Sem vista para o mar” e em subtítulo eles se definem como ” contos de fuga” . A autora é Carol Rodrigues e a editora Mendonça Livros.

As historias são alinhavadas numa linguagem extremamente original e trabalhada. É muito cuidadoso o trabalho de joalheria da autora, que leva as palavras da vida diária a se ajeitarem em frases e modos de dizer que lhes conferem imprevistos sentidos. Sentidos imprevistos que ressoam em várias histórias. Por sua vez, povoadas por personagens igualmente imprevistos.

Cabe ao leitor (esperto) arrematar o alinhavo: leitura envolvida, pontilhada de descobertas. Afinal … “ Ah ! o Murilo não é aquele mesmo Murilo lá de trás ?” “E o bar Coyote … ? “ “ Essa fulana já não apareceu antes ?”

Ao longo dos contos – e mesmo no interior de alguns deles- cruzam-se várias vozes. Mesmo quando narrados em terceira pessoa – aquela narração em que quem conta a historia não toma parte nela – quem narra os contos que Carol Rodrigues escreveu, parece não saber tudo daquilo que narra: imagina, suspeita, tem hipóteses. Que divide com o leitor.

O procedimento tem admiráveis efeitos de sentido: embaçada a voz que conta a historia, desmancha-se a superioridade do narrador, e o leitor ganha um parceiro. Oba…! “Como eu, quem conta a historia não sabe tudo. Que nem todo mundo na vida real…”

Será? Comigo foi. Foi assim que li o livro.

O livro é povoado de personagens com quem nem sempre cruzamos todos os dias. Será?  Talvez não.  Ou talvez nem sempre. Melhor talvez seja dizer que as histórias deste “Sem vista para o mar” nos fazem cruzar com outras identidades de gente que achamos que conhecemos: quem é mesmo aquela mulher que oferece Danoninho para a filha? A mulher do homem vespertino não sabia mesmo o que fazia seu companheiro?

Vai saber…

Desastre na estrada, preparativos de festa de criança, sessão de cinema, inconfidentes e bandeirantes, pão na chapa na padaria… são  cenários e circunstâncias em que se movem as criaturas de Carol Rodrigues. Cenários, talvez, como anuncia o título do livro, “sem vista para o mar”. E lá pelas tantas – ao ler no fecho de uma das historias que “final feliz é somente o litoral”, o leitor sorri e se sente preparado para, na carona de outra personagem, refazer o sentido, pois” queria ver o mar que faz tempo”.

Sobre o autor:

Desculpe-nos, mas os comentários não são permitidos no momento.