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Que lindo é o meu Jabuti!

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Que lindo é o meu Jabuti!

Que lindo é o meu Jabuti!
*Márcia Lígia Guidin

Não, eu não ganhei um Jabuti. Mas há dez anos recebi convite para integrar a Comissão Organizadora do Prêmio, criado pela CBL há 57 anos. Apesar da distinção, que despertou em mim perigosa vaidade, fiquei reticente: afinal dizia-se que só chegavam ao prêmio escritores consagrados (os tais mandarins da literatura) ou editores com bom lobby. Tais comentários destoavam, porém, das premiações que eu já tinha presenciado, donde vários autores e editores saiam felizes e surpreendidos – antes mesmo do glamour que, hoje, o Jabuti conquistou.

Como o Jabuti é o Jabuti, aceitei a tarefa (voluntária para toda a Comissão, diga-se), e logo descobri, para meu sossego, o solo seguro e virtuoso por onde caminhava e caminha este prêmio especial para a cadeia criativa e produtiva do livro.

Logo na primeira reunião (e tenho estado lá até hoje) vi que a equipe da CBL e a curadoria investem em valor fundamental para qualquer premiação: transparência e isenção. Cartas marcadas? De jeito nenhum! Saibam, autores e editores, que não há problema ou novidade na organização deste prêmio que fique restritos à vontade de uma só voz – a da curadoria ou a dos presidentes da CBL. Todos são convocados e ouvidos todo o tempo. Duvida? Comece pelo nosso Guia de Orientação, ou nosso regulamento –Está lá, no site, e é todo o tempo discutido, atualizado, revisto e republicado.

Para quem nunca soube ( passeiem pelo site, amigos), vale dizer que a escolha dos julgadores das 27 categorias (e estas, claro, vão se ampliando ou afinando como retrato incontornável do crescimento do ambiente editorial) depende de rigorosa indicação e análise. Sabiam que para cada membro titular há sempre um suplente? Aliás, nunca haverá conluio ou debates acalorados a portas fechadas entre jurados; isto porque até o dia da festa, eles não sabem quem são seus colegas. Imagine, então, uma operação de guerra para atender e orientar cada membro das 27 categorias, com três julgadores cada uma? O comitê fica o tempo todo incumbido de auxiliar nas dúvidas. O Jabuti, tenham certeza, começa um ano antes da festa.

Neste ano, há duas novas categorias no prêmio, há tempos discutidas e ponderadas. São “adaptações” de obras gerais – trabalho intelectual muitas vezes brilhante – e “livro digital infantil” – multimídia e já criado para o novo suporte. Pois é, o Jabuti também vai ao mundo digital a passos largos (sem chiste, é claro).

Assim, quem se lembra de polêmicas e controvérsias a respeito do Jabuti, já sabe, então, por que elas existem: porque tudo é discutido, porque porque tudo é público, porque quem quiser que vá acompanhar as apurações de primeira e segunda fase. E, para quem nunca as acompanhou, desde sempre há tesouras para se abrirem em público os envelopes lacrados com os votos que a CBL recebe sob sigilo completo. Também não sabem? Há uma equipe de especialistas bibliotecários a conferir o registro de cada titulo inscrito e auditoria contratada, em tempo real, para ratificar as notas apuradas.

Transparência, espírito democrático e rigor servem a talentos brasileiros do mundo do livro há quase 60 anos. É para isto que existe este prêmio. É em nome disso que trabalham todos os envolvidos e colaboradores. Talvez seja por isso que um prêmio com valores quase simbólicos é tão desejado.

Por tudo isso, e por estar em tão honrosa companhia, se sou convidada a subir ao palco para entregar este ou aquele Jabuti aos premiados, minha alegria é genuína. Já vi lágrimas, já vi grandes sorrisos e já ouvi, pondo em mãos de autores já aclamados (ou não) nossa tartaruga: “ – Que lindinho é o meu Jabuti”.

*Márcia Lígia Guidin
Professora Titular de Literatura Brasileira e Editor

Sobre o autor:

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