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Quarenta Dias de Maria Valéria Rezende

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Quarenta Dias de Maria Valéria Rezende

quarenta dias

Quarenta Dias
Por Marisa Lajolo, curadora do Prêmio Jabuti
https://www.facebook.com/marisa.lajolo
Em 25/01/2014

Quarenta Dias
1º Lugar na categoria Romance no Ficção em 2015
Autora: Maria Valéria Rezende
Editora: Editora Objetiva

Lendo “Quarenta dias” (M. Valéria Rezende, Alfaguara, 2014) o leitor – sobretudo no feminino – pode escolher: identifica-se com Alice ou com Barbie? Ou com Lola?  Ou, quem sabe, com Norinha…?

Independente da escolha, não larga o livro…

Na história, uma voz feminina em primeira pessoa narra, em forma de diário manuscrito, uma insólita e belíssima experiência vivida por uma mulher de sessenta anos. Transplantada de seu cotidiano bem arrumadinho para uma outra vida que lhe é imposta, Alice descobre  sua própria força. E testemunha a solidariedade dos “de baixo”, que encontra em salas de espera de hospitais públicos, em becos que cortam favelas, em alojamentos de operários. Estes “de baixo” têm sempre histórias para contar E as contam. E contam bem.

Pela forte e ao mesmo tempo delicada voz de Alice, os leitores percorrem um Brasil de “brasileirinhos” e “ brasileirinhas “ que nem sempre chegam à literatura com a verossimilhança que M. Valéria Rezende sabe construir para cada um deles, ainda que quase todos habitem – cada um/a-  umas poucas linhas de seu romance.

A personagem narradora, professora aposentada entrelaça à história, de forma leve, o inevitável perfil letrado de sua vida anterior. Livros e autores se esgueiram em epígrafes e comentários. Mas não humilham o leitor que não os conhece. Ao contrário, convidam à leitura. Convivem, no corpo do livro – na realidade, desde sua capa-  com a reprodução de comandas  de padarias,  de folhetos que anunciam receitas milagrosas e luxuosos lançamentos imobiliários.

Tudo é escrita. Frente e verso da página. !

A história é suficientemente sofisticada para sugerir interpretações variadas. Há ecos bíblicos já no título “Quarenta dias” e o enredo encena radical repaginação da relação mãe / filha. Além de reler Lewis Carroll. Não faltará quem embarque na discussão. Pois é ótimo discutir bons livros, como este!

Mas o encanto não carece de nada disso.

Ao longo e ao cabo da leitura, creio que mesmo os mais intelectualizados leitores revivem o encanto primeiro da literatura, que faz viver vidas alheias na segurança da folha de papel, que dá vontade de sublinhar frases aqui e ali. Depois da leitura, fechado o livro, o leitor/a retorna diferente à vida cotidiana. Retorna talvez mais sábio/a, porque mais sensível à estupenda diversidade de seres humanos que, conosco, compartilham o planeta Terra… e que – sorte nossa, não é mesmo? – habitam “Quarenta dias”.

Sobre o autor:

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