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As Ciências Naturais e o Prêmio Jabuti de Literatura


Há uma grande variedade de índices com que se comparam países, em termos de sua condição econômica, social ou cultural, sendo o produto interno bruto (PIB), o índice de desenvolvimento humano (IDH), o coeficiente de desigualdade econômica (GINI) ou o nível de desempenho escolar (PISA) alguns dos mais conhecidos, por serem mais amplamente anunciados. Um índice concebível, que se existisse refletiria os demais, seria o de publicações de livros científicos.

Para promover crescimento econômico com efetivo desenvolvimento social, um objetivo razoável seria promover a ampliação daquele índice, pois difusão da ciência e formação científica amplia o contingente social responsável pelo progresso tecnológico e cultural, que é base para a autonomia de qualquer nação moderna. Uma variedade de fatores pode contribuir para isso e, há décadas, o Prêmio Jabuti de Literatura tem feito sua parte, como posso mostrar com algo que pessoalmente testemunhei.

Há cerca de trinta anos, um grupo de professores do ensino público e um pequeno grupo de professores universitários se reuniram para conceber outras formas de ensinar sua ciência, que produzia pouco interesse e muitas reprovações, em um projeto que se concentrou na formação continuada de seus colegas e na produção de livros para isso.

Quando o primeiro deles foi publicado, disputou o Prêmio foi contemplado com o principal Jabuti da sua categoria. Tal foi o estímulo que esse feito trouxe à equipe, que em pouco tempo toda a série de livros estava completa, editada e, por anos a fio, eles foram campeões de venda da editora universitária que os publicou, e até hoje o valor de suas vendas reverte para projetos de formação docente, no mesmo espaço onde foram concebidos.

Não se trata de situação excepcional, mas sim extremamente significativa, pois entre as dezenas de livros de ciências naturais e tecnologias associadas, que concorrem anualmente ao Jabuti, a maioria é de livros voltados à formação inicial e à atualização de profissionais atuando em funções técnicas e educacionais, assim como à divulgação científica. Da mesma forma, muito mais que a busca do montante simbólico dos prêmios, é especialmente o estímulo que conta, para astrônomos, biólogos, físicos, geólogos e químicos que orgulhosamente vêm receber seu Jabuti.

O nome Jabuti é bem expressivo do que simboliza, pois é um bicho bem brasileiro que, sem fazer alarde, segue firme seu percurso com a carapaça que o protege da predação externa. Nosso Jabuti promove, valoriza e protege nossa literatura, inclusive nossa literatura científica, e faz isso da melhor maneira, com regras claras, avaliações idôneas e comemorações festivas. Até por isso, aproveito essa oportunidade para protestar contra o apelido “jabuti” dado a inclusões oportunistas em projetos de lei, feitas por parlamentares mal intencionados. Nosso Jabuti, em tudo oposto a isso, é um belo exemplo de reconhecimento ao mérito, com transparência e lisura!

*

Luiz Carlos de Menezes é físico e educador da Universidade de São Paulo (USP) e membro do conselho curador do Prêmio Jabuti.

Saudação do Jabuti aos concorrentes por Marisa Lajolo


Notícia maravilhosa: mais de dois mil livros concorrentes ao 57o. Prêmio Jabuti! E como nem sempre cada livro foi escrito por um único par de mãos, a gente pode ter certeza de que quase três mil escribas já estão animados, torcendo: será que eu chego lá?

Acho que já chegaram, já chegaram … Mesmo os que não se incluam entre os três vencedores de cada categoria, já merecem cumprimentos. Muitos e muito sinceros cumprimentos! Por quê? Porque estão chegando …

Escrever um livro dá muitas alegrias, mas também muito trabalho. Depois de escrito, publicá-lo pode ser outra trabalheira. E é preciso muito feijão com arroz – muito muito muito!

- para criar coragem, autorizar e/ou promover sua inscrição no mais prestigiado prêmio brasileiro. Portanto, calorosos e sinceros parabéns a todos os inscritos e inscritas; que este ano de 2015 se marque para todos pela alegria da competição saudável !

Também merecem parabéns os jurados. Pelo regulamento – religiosamente cumprido! – os abnegados leitores e leitoras que leem, avaliam e classificam os inscritos ficam anônimos até a festa da premiação. O anonimato tem vantagens, por exemplo a certeza de que não haverá pressões ao longo do julgamento. Mas… a alegria e orgulho legítimos de ser considerado/a uma autoridade numa determinada área do mundo dos livros não podem ser compartilhados com ninguém … Por mais que muitos alguéns queiram saber o que são aquelas pilhas de livros que desembarcaram no escritório, na sala e até no corredor a resposta é vaga: “É coisa de trabalho ….”

Entre estas duas tribos – concorrentes e jurados – fica uma contraparte da maior importância: os leitores, aqueles misteriosos e anônimos seres para os quais se escrevem, se revisam, se diagramam, se “encapam”, se ilustram, se publicam livros… Escritores e jurados são também leitores e dos muito bons! Se não fossem bons leitores, não seriam capazes de produzir, discutir reconhecer e premiar bons livros, não é mesmo?

É assim, em homenagem aos leitores, em cuja identidade se encontram e se irmanam todos os profissionais envolvidos na produção de um livro, que a Câmara Brasileira do Livro – entidade responsável pelo prêmio jabuti – organiza este ano uma série de encontros entre escritores, ilustradores, programadores, jurados e leitores para que cada vez mais se ampliem e se qualifiquem as práticas de leitura em nosso pais. Afinal, Monteiro Lobato já não disse que “um pais se faz com homens e com livros?”. Disse. E tinha razão.

E o Prêmio Jabuti trabalha para isso… !

Entrevista com a curadora do Prêmio Jabuti Marisa Lajolo para o Conexão Universitária


À frente da curadoria do Prêmio Jabuti há quase dois anos, Marisa Lajolo é uma das mais favoráveis representantes da entrada do livro digital na premiação. “Achei que uma forma de trazer essa discussão para um nível mais amplo seria incluir entre as categorias premiadas pelo Jabuti o livro digital”, ela diz.

Como revela, a ideia já vinha sendo discutida na gestão anterior, e o principal ponto não era aceitar ou não o digital, mas como incluí-lo. A sugestão de incluir os livros infantis partiu dela, por ser o segmento em que, até hoje, ela encontrou mais recursos interessantes a serem explorados.

E foi neste ano, no 57º Prêmio Jabuti, que foi anunciada a categoria experimental livro infantil digital. No entanto, a questão levantada por Leonardo Neto, do Publish News, sobre os livros digitais não participarem da categoria livro do ano incomodou muita gente.[6]  O fato de ser uma categoria experimental parece ser a resposta.

Essas novidades geraram debates interessantíssimos. No apanhado geral de opiniões, entre críticas e elogios de diferentes tipos, dá, sim, para dizer que houve um consenso de que o reconhecimento do livro digital pelo Jabuti é uma vitória. Por outro lado, uma série de outras questões foi levantada por profissionais que vivenciam a rotina da produção digital editorial, principalmente no que diz respeito ao envio das obras aos jurados.

E foram as críticas e sugestões recebidas que fizeram a organização do Prêmio propor algumas alterações no regulamento. “Acabamos isentando a ficha catalográfica e o ISBN [...]. Chegamos a um acordo que, por ser uma categoria experimental, valia correr o risco”, explica Lajolo.

A respeito do modo de envio, a professora concorda que é preciso chegar a um consenso, principalmente por causa da complexidade das inscrições, já que alguns arquivos abrem de forma diferente nos diversos suportes possíveis.

Para Lajolo, o catálogo digital ainda está nascendo, e em breve conquistará novos públicos. Para isso — e para a premiação no Jabuti —, a interação deve garantir que se acrescente algo ao texto. Ela argumenta: “Se você põe ‘o cachorro latiu’ e ele faz au-au-au, tudo bem, você está interagindo, é uma outra linguagem, mas não está acrescentando significado a coisa nenhuma; então, a ideia é que o livro digital exija uma complexidade, uma pluralidade maior de interações. Não é para uma linguagem apenas duplicar o que a outra já disse. A gente sabe que o livro digital pode gerar esse tipo de interação, é algo que está sendo avaliado”.

Acompanhe a entrevista na integra: Clique Aqui

Livro Digital no Jabuti por Marisa Lajolo


Ah, as categorias do JABUTI…
Como distinguir um conto de uma crônica? E uma obra infantil de uma juvenil? E agora ainda temos os jovens adultos. Por mais rigorosos que pretendam ser os estudos literários e linguísticos que se ocupam do assunto, acabam não dando conta.Tampouco aquelas palavrinhas que acompanham a ficha catalográfica dão conta.
Mas, classificar coisas é uma das paixões humanas, não é mesmo? Classifiquemos pois!!
Em pauta, livros digitais.
Como chamar e definir estes irmãos mais novos dos livros de papel? As sugestões são várias, muitas já em circulação: ebooks, objetos digitais, aplicativos, @books… Por aí vai.
O tempo se encarregará de cristalizar uma delas.
Mas a Câmara Brasileira do Livro (CBL) não podia esperar pela cristalização terminológica. Por isso é experimental o prêmio instituído para a categoria livro infantil digital. Que, na nossa perspectiva – construída depois de muita leitura, consultas e conversas – se caracteriza por valer-se de varias linguagens e exigir interação (claro que será melhor se a interação não se limitar ao virar das páginas); capa e sumário para o leitor navegador (também as vezes chamado de usuário) poder orientar-se a vontade, ficha catalográfica e iSBN para haver identificação formal.
Em tempo: não e difícil, para livros já prontos, incluir sumário, capa & ficha catalográfica.

marisa lajolo

JABUTI 2015 – Categorias por Marisa Lajolo


Tenho certeza de que os bebês já nascem classificando: o útero da mamãe era diferente (e melhor) que as mãos da parteira, e para chupar, dedão é melhor do que qualquer objeto que aqueles vultos gigantescos lhes enfiam na boca…
Mas, pelo menos no mundo dos livros não é assim tão fácil classificar. As categorias pelas quais se distribuem os Jabutis deste ano que o digam. E, dizendo-o, prolongam-se as discussões que acompanham o mais prestigiado prêmio brasileiro desde sua primeira edição em 1959.
Verdade verdadeira é que as categorias do Jabuti contemplam diferentes aspectos do objeto livro. Romance, por exemplo, é uma classificação baseada em gênero literário. Livro juvenil contempla o público alvo da obra; Arquitetura se define pelo tema / conteúdo da obra… E assim por diante! Além disso, nenhuma das categorias contempladas pelo prêmio existe sozinha. E possível uma capa sem um miolo? Ou um projeto gráfico sem texto? Ou seja, categorias precisam às vezes dissociar o que, na verdade, é indissociável.
Mas, vá lá – estabelecendo e nomeando categorias para o mais prestigiado premio brasileiro, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) acredita reconhecer e conferir visualidade à complexidade e sofisticação da cadeia produtiva do livro brasileiro.
Concordam?
Então continuemos discutindo, propondo, divergindo e oferecendo sugestões. Com garra e sólidos argumentos. Isto só fará bem à cultura do mundo dos livros. Mas que ninguém imagine que um dia se vai bater o martelo em classificação de livros. Afinal, sermões já foram considerados literatura e romances não eram assim considerados. Também não se peça que a CBL aconselhe ou sugira em qual categoria caberia melhor este ou aquele livro. Pois a adequação de um livro concorrente a uma dada categoria pode ser um item de avaliação.
Combinado?
Marisa Lajolo

Novidades do Prêmio Jabuti 2015


Em encontro na Livraria Cultura, Ignácio Loyola Brandão e Marisa Lajolo falam sobre o papel de obras adaptadas na formação de leitores e o futuro do livro digital.

Nesta segunda-feira (3), a Livraria Cultura foi palco do segundo encontro da série “Jabuti entre Autores e Leitores”, uma ação da Câmara Brasileira do Livro (CBL) para difundir o Prêmio Jabuti. Marisa Lajolo, curadora da premiação, e Ignácio Loyola Brandão, autor consagrado, participaram do bate-papo mediado por Gustavo Ranieri, editor da Revista da Cultura, e comentaram as principais novidades do concurso em 2015.

“O Prêmio Jabuti teve início há 57 anos, com apenas 7 categorias. Hoje, já são 27 frentes de trabalho distintas, sendo duas inéditas, com o intuito de acompanhar a constante evolução do mercado. Diante deste cenário, a edição de 2015 traz a nova modalidade ‘Infantil Digital’, em caráter experimental. Como a definição livro digital ainda é vaga, procuramos contemplar o segmento infantil desde os e-Pubs até os Apps”, explica Marisa.

Para Loyola, o ponto alto foi o reconhecimento das adaptações como objeto de premiação. “Muitas obras importantes são lidas em versões encurtadas, mais lúdicas, pelo publico mais jovem. Quando criança, tive contato com ‘Moby Dick’ pela primeira vez e, somente depois de muitos anos, li a obra original. Quando se trata da formação de um público jovem, precisamos usar uma linguagem adequada à sua formação e suas condições”, pontua o autor.

“Monteiro Lobato ilustrou a situação apontada com muita clareza, em ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’, quando a personagem de Dona Benta decide ler ‘Dom Quixote’ aos netos. Eles se dispersam e a avó procura, então, contar as aventuras com suas próprias palavras, o que os cativa”, relembra Marisa.

Próximos encontros
22/ago - 16h00: Jabuti entre Autores e Leitores
Participação: Fernando Vilella
Local: Livraria da Vila – Fradique Coutinho
Endereço: Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros

21/set - 19h00: Jabuti entre Autores e Leitores
Participação: Audálio Dantas, Marisa Lajolo e Gustavo Ranieri
Local: Teatro Eva Herz – Livraria Cultura
Endereço: Av. Paulista, 2.073 – São Paulo

Para mais informações sobre a premiação, acesse www.premiojabuti.com.br.

Câmara Brasileira do Livro – CBL – R. Cristiano Viana, 91 – Pinheiros, 05411-000
www.cbl.org.br
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Instagram: cbloficial
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Tel: (11) 3675-5444 Agosto/2015

Como é que o Prêmio Jabuti muda?


Como é que o Prêmio Jabuti muda?

Mudando, ora!

Jabuti, o simpático e cascudo bichinho que dá nome aos mais prestigiado prêmio brasileiro para livros está quase completando sessenta anos. Os premiados de 1958 receberam suas estatuetas no ano seguinte – 1959.

Naquele final dos anos 50, assinalava-se a vitória de Fidel Castro em Cuba e a da tenista brasileira Maria Esther Bueno em Wimbleton. Junto com isso, a Câmara Brasileira do Livro celebrava Sérgio Milliet, Jorge Medauar, Mario da Silva Brito, Carlos Bastos, Renato Sêneca Fleury, Isa Silveira Leal e Jorge Amado.

Belo time, não é mesmo?

Pois é…

Naquele ano, poucas categorias eram contempladas pelo prêmio que nascia. Pouco mais que meia dúzia: personalidade do ano, ensaios, história literária, ilustração, literatura infantil, literatura juvenil e romance. Já no ano seguinte, capa e poesia ampliaram o arco.  De lá para cá, entre ingressantes e despedidos, são quase trinta as categorias que disputam o Jabuti.

Discutir categorias é sempre interessante.

Pode render horas de papo e no caso de livros, o papo pode ficar interminável.

Já no final do século XVIII, havia quem achasse (o poeta inglês Wordsworth, por exemplo)  que era perda de tempo discutir se um livro era novela ou romance. E muita gente achava que romance não era literatura.

Já hoje em dia…

Bem mais recentemente, outro súdito britânico – Terry Eagleton – lembra que enquanto a Entomologia estuda seres estáveis (insetos, aqueles bichinhos que têm sempre três pares de pernas) a Teoria Literária não tem a mesma sorte: seu objeto é completamente instável: um determinado texto pode ser, deixar de ser ou passar a ser literatura.

Já os insetos…

… Falando em insetos, voltamos aos bichinhos. Muito embora o Jabuti não se destine exclusivamente a livros literários, nele ressoam questões nascidas no território das letras. A exclusão de certos gêneros, por exemplo, traz para o território mais amplo da cultura livresca pressupostos de territórios mais restritos, porém mais – digamos- prestigiados.

Os quadrinhos são um bom exemplo da censura exercida em nome da estética. Vilões nos anos cinquenta, acusados de comprometer a imaginação de leitores e de conspurcar o (bom) gosto, seus artistas souberam lutar.

E deram a volta por cima! ! !

E por isso, o Jabuti 2015 se alegra em incluir, entre as categorias que premia os descendentes do pioneiro Angelo Agostini (1843-1910) que, ainda nos idos do século XIX, introduziu os quadrinhos na terra de Machado e Assis! Gênero que até hoje encanta leitores maiores e menores, estas figuras bem amadas, nativas e cidadãs honorárias o mundo dos livros e da leitura.

Prêmio Jabuti – Categoria Adaptação


Prêmio Jabuti
Categoria Adaptação

Na França de 1717 sai o livro “As aventuras de Telêmaco”, escrito pelo então já falecido Fénelon. E quem era Telêmaco? Filho de Ulisses, o protagonista de “A Odisseia”. Então “As aventuras de Telêmaco” foram quase um proto exemplar de fan fiction?  Parece…

Do outro lado do canal da Mancha, em 1807, quando Dom Joao VI nem havia ainda chegado ao Brasil e nem tínhamos direito a imprimir, na Inglaterra que empurrou Dom João VI para o lado de baixo do Equador – foi lançada uma adaptação das peças de Shakespeare. Ate hoje circulam em diferentes línguas, os “Tales from Shakespeare” dos irmãos Charles & Mary Lamb .

Também o Brasil entrou na onda. A partir de 1880, Carlos Jansen publicou adaptações, entre outros títulos, dos clássicos “As mil e uma noites” e “Viagens de Gulliver

Ou seja, adaptações têm uma longa e honrada historia no mundo das letras. Inclusive nas nacionais: a adaptação de “As mil e uma noites” teve prefácio de Machado de Assis.

Pareceu, assim, à Câmara Brasileira do Livro (CBL) que o gênero merecia integrar as categorias contempladas com o Jabuti. Maneira de o prêmio continuar fiel a seu aqui e seu agora.

Aqui e agora no qual as adaptações de desdobram em diferentes linguagens. Modelito mais tradicional de adaptação é, por exemplo, tanto história de Dom Casmurro narrada do ponto de vista de Capitu quanto uma graphic novel criada a partir de uma lira de Tomás A Gonzaga; ou, quem sabe, sermões do Pe. Vieira em quadrinhos?

Sejam pois as re-escrituras, muito bem vindas a este 57º Jabuti.

Marisa Lajolo
Curadora do Prêmio Jabuti

E o Prêmio Jabuti, vai bem?


E o Prêmio Jabuti, vai bem?
(Por Marisa Lajolo)

Vai muito bem!

Há 56 anos (em 1959), numa noite de 11 de novembro, na Av. Ipiranga o primeiro prêmio Jabuti – criado pela Câmara Brasileira do Livro- foi entregue a até hoje queridos e muito respeitados intelectuais brasileiros: Jorge Amado, Isa Silveira Leal, Renato Sêneca Fleury, Jorge Medauar, Ademir Martins, Carlos Bastos, Mário da Silva Brito,  Sergio Milliet e a Saraiva.

A lista destes primeiros premiados sugere o olhar atento, arguto e cuidadoso-voltado para o futuro- com que o júri convidado pela Câmara Brasileira do Livro, no desempenho de suas funções, observa o panorama dos livros brasileiros. Olhar informado e esperto, capaz de identificar o novo. Pois, como dizia Camões no século XVI, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E como poetas têm sempre razão, o Jabuti acredita que também o mundo dos livros “é composto de mudança / tomando sempre novas qualidades”.

E que mudanças teriam sido as que o Jabuti de 1959 consagrou?

Foram muitas, das quais enumero apenas três:

Gabriela, cravo e canela marca uma nova e até hoje festejada vertente da literatura de Jorge Amado. Livros para crianças e jovens – representados pelos prêmios a Isa Silveira Leal e a Renato Sêneca Fleury – apontam para um gênero que de lá para cá só tem amadurecido e ganho reconhecimento acadêmico além de trazer para o Brasil prêmios internacionais. E no Prêmio à Saraiva, marca-se a fina e precoce percepção das  novas condições – que neste século XXI continuam a surpreender- de produção e circulação de livros.

É. Assim, num clima otimista de fidelidade a suas raízes inovadoras e premonitórias, que a Câmara Brasileira do Livro, no lançamento da edição desse ano de 2015 – a 57ª do Prêmio Jabuti anuncia que duas novas categorias de livros serão contempladas: adaptação e livros infantis digitais.

Com este anúncio, a Câmara Brasileira do Livro tem certeza de que – ao acolher gêneros de ampla circulação de nossos dias, largamente consumidos em nosso aqui e agora – sela fidelidade a suas origens e embarca, junto com os leitores, na fantástica aventura de mergulhar em diferentes linguagens que falam dos sonhos humanos, velhos e novos.

Marisa Lajolo
Curadora do prêmio Jabuti

Ignácio de Loyola Brandão participa de bate-papo na Livraria Cultura


O segundo encontro da série “Jabuti entre Autores e Leitores” de 2015, idealizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), promove um bate-papo com o escritor Ignácio de Loyola Brandão. O evento acontece no próximo dia 3 de agosto, no Auditório Eva Herz, da Livraria Cultura, e contará também com as presenças da curadora do Prêmio Jabuti, Marisa Lajolo, e do editor-chefe da Revista da Cultura, Gustavo Ranieri Oliveira.

Loyola Brandão é autor das obras “O Menino que Vendia Palavras”, vencedora do Prêmio Jabuti na categoria Livro do Ano de Ficção, e “O Homem que Odiava Segunda-Feira”, premiada em Contos e Crônicas. Atualmente, o escritor atua como cronista do jornal O Estado de S. Paulo, no Caderno 2.

Marisa Lajolo é curadora do prêmio, mestre e doutora em Literatura pela USP, pós doutora na Brown University, professora de Literatura na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Unicamp.

Já Gustavo Ranieri é editor-chefe da Revista da Cultura desde 2011. Ele atua em jornalismo há 11 anos, colaborando com importantes veículos do país e mediando diversos eventos literários.

Prêmio Jabuti 2015

A 57ª edição do Prêmio Jabuti está com as inscrições abertas até 31 de julho. Esse ano, serão 27 categorias, sendo duas inéditas: Adaptações – que inclui textos transformados em quadrinhos e vice-e-versa – e Infantil Digital – que contempla obras interativas desenvolvidas para dispositivos eletrônicos.

Para mais informações sobre a premiação, acesse www.premiojabuti.com.br.

SERVIÇO

03/ago - 19h00: Jabuti entre Autores e Leitores
Participação:
Ignácio de Loyola Brandão, Marisa Lajolo e Gustavo Ranieri
Local: Teatro Eva Herz – Livraria Cultura
Endereço: Av. Paulista, 2.073 – São Paulo